domingo, 26 de fevereiro de 2017

TRACTORES DA MINHA JUVENTUDE

É sempre  vivificante recordar momentos do passado, quer através da palavra escrita ou de imagens, quer entrando em contacto directamente com pessoas ou coisas que nos trazem recordações e nos lembram o quão rapidamente o tempo passa. Mas que nos ensinam que recordar é viver, que recordar é um ir atrás no tempo, é colocarmo-nos num tempo que não é o hoje mas o ontem, é vermo-nos de repente perante imagens e sons e vivências que pareciam já um pouco esquecidas.     Afinal, para que serve todo este paleio?


Apenas para dizer que no Verão passado visitámos algumas festas e romarias em que ele é fértil e recordámos muitos momentos da nossa meninice em que no verão o vai-vem dos tractores carregados de trigo chegavam continuamente à minha terra para utilizarem o trabalho de uma ou duas debulhadoras que lá passavam um ou dois meses debulhando a semente de que tanta gente necessitava. Era um ruído diário, e por vezes nocturno, que nos acompanhava e cuja origem nos era agradável de admirar: rodas que giravam, motores que rugiam, correias implacáveis no seu andar e que por vezes feriam quem perto delas estava, homens no chão a enviar atados de trigo para cima da debulhadora onde outros homens os recebiam e os introduziam nas entranhas dessa máquina, homens que do outro lado desta enchiam sacas com a cereal dela saído e, mais atrás, o ruído de vai-vem da enfardadeira. 



Era uma actividade que se repetia todos os verões e que era esperada com toda a ansiedade.
Até que foi diminuindo e quase deixou de existir. Os terrenos que anteriormente eram fruto do trigo foram abandonados ou replantados com árvores ou vinha.
E nessas festas e romarias encontrámos muitos tractores que, recuperados ou ainda em funcionamento, apoiaram essa actividade agrícola e agora apoiam outras que entretanto surgiram.  
Aqui ficam as imagens de alguns que pudemos apreciar e que, como dissemos, tantas boas recordações nos deixaram e tanto carinho merecem dos seus proprietários e de quem os decidiu agrupar para benefício e prazer de outros.






sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

OS MOINHOS E O MAR - 2

AGUILHÃO ou AGULHÃO
MOLINOLOGIA - MOINHOS de água – AGUILHÃO: veio em metal ou pedra que se encontra na base da árvore do rodízio e que suporta todo o aparelho motor e moageiro. AGULHÃO: veio em metal ou pedra que se encontra na base da árvore do rodízio e que suporta todo o aparelho motor e moageiro; ou ponta metálica no eixo exterior das rodas de água verticais e que lhes serve de apoio; ou veio ou ponta de apoio no extremo posterior do mastro dos moinhos de vento.

MAR - AGUILHÃO: pedra com uma extremidade aguda e que está colocada dentro de um rio. AGULHÃO: agulha magnética por cujas indicações se faz a navegação

Os moinhos confundem por vezes estas duas palavras, o que não acontece na náutica em que os sentidos estão perfeitamente definidos. Contudo, embora nomeando objectos diferentes nas duas áreas, eles são semelhantes no seu desenho e na sua finalidade: são as pontas que se encontram nas extremidades dos veios ou eixos com idêntica finalidade; por outro lado também se dá este nome à agulha magnética porque, exactamente, tem um desenho muito parecido.


AGULHA
MOLINOLOGIA - MOINHOS de vento - utensílio de aço em forma de estilete com um bico numa ponta e um furo na outra destinado a coser as velas.

MAR - instrumento metálico filiforme usado para coser as velas.

Este utensílio usado em diversas áreas da vida humana, é-o também aqui e com muita frequência. Tem a mesma aparência, eventualmente com pequeníssimas diferenças, e a mesma finalidade: coser o pano. Como se disse não é usado unicamente por estas áreas nem, de certeza, foi por elas inventada.


AGULHETA
MOLINOLOGIA - peça pertencente ao aliviadouro que permite aliviar a mó, isto é, separar ou aproximar a mó do poiso.

MAR - tubo de cobre ou latão que é enroscado na extremidade das mangueiras das bombas de incêndio.

Neste caso encontramos uma palavra para dois objectos muito diferentes e com finalidades também muito diferentes. Só com muito esforço poderíamos encontrar no seu desenho filiforme algumas semelhanças que não chegariam, contudo, para vermos alguma relação entre elas.

SANTIAGO DE COMPOSTELA e OURENSE

Em ano de Xacobeu todos nos sentimos um pouco tentados a visitar Santiago de Compostela. Quando no início de Outono de 2009 os nossos filhos decidiram, mais ou menos de repente, fazer o Caminho de Tui a Santiago, combinámos ir buscá-los 5 dias depois a Santiago aproveitanto para rever a cidade, suas igrejas e monumentos, e abraçar e pedir a protecção do Santo. Mas o homem põe e Deus dispõe; e assim três dias depois acabámos por ir só até Pontevedra onde nos encontrámos com nossos peregrinos, exaustos e encharcados, pois o mau estado dos caminhos, grande parte deles alagados, o peso da roupa de inverno e as botas desfeitas, os haviam obrigado a adiar os restantes 50 km para posterior caminhada. Mas a ideia de revisitar Santiago, principalmente nesta época tão especial, levou-nos a voltar no Verão. Assim, numa manhã que mais parecia Outono, chegámos a uma Santiago chuvosa e escura, em que nos sentimos solidários com os pobres peregrinos que chegavam debaixo daquele tempo. No entanto, visitar estes locais de peregrinação em certas épocas não é realmente nada fácil. As filas para entrar na Catedral eram tão compridas e compactas que davam várias voltas e faziam desanimar os mais pacientes, ainda por cima debaixo de chuva miudinha. Assim, após um olhar mais ou menos demorado para a grande e sumptuosa Catedral e um pequeno passeio pelas sempre simpáticas ruelas, decidimos abrigarmo-nos da chuva numa das ‘bodegas’ da zona, à frente dum pratinho de ‘tortilla’, um bom ‘queso’ e umas quantas ‘canhas’, seguidos de uma fatia de tarte de Santiago, para nos lembrarmos onde estávamos; e lá seguimos viagem para Ourense, que ainda não conhecíamos.

A cidade de Ourense fica situada a cerca de 100 km de Santiago no caminho de Madrid, numa região de serranias que abrange todo um vale, e é atravessada pelo nosso bem conhecido rio Minho (Miño). É uma cidade muito simpática, cuja principal característica são as suas termas de águas sulfurosas, quer ao longo das margens do rio, quer mesmo dentro da própria cidade. As nascentes dentro da cidade são aproveitadas para piscinas exteriores muito concorridas e muito aprazíveis, principalmente nos dias quentes de Verão, pois trata-se de uma cidade de interior. O mesmo acontece com as margens do rio, relvadas e com bastantes árvores frondosas, convidando-nos ao descanso e a saborear momentos de paz e traquilidade, ouvindo os murmúrios do rio no seu leito de pedras e os sempre aprazíveis trinados dos pássaros, habitantes inseparáveis destas zonas húmidas.

Desde a simpática sala de visitas, a Plaza Mayor, até à longa Calle do Progreso, com as suas larangeiras e lojas modernas, passando pela velhinha ponte romana – a ponte Maior - e pela moderna ponte do Milenio, tudo nos encantou; mas foi sem dúvida a visita à Catedral que nos encheu as medidas. E, como às vezes há momentos de sorte, este foi um dele: foi-nos dada a conhecer a Catedral em todo o seu esplendor, por lhe terem abertas todas as portas, devido a uma visita especial. Assim, conseguimos ver o fantástico esplendor policromático da entrada principal da Catedral, uma joia que habitualmente está obscurecida pela falta de luz.Tivemos também muito sorte quer com o tempo, que melhorou e se tornou muito quente, quer com o local de alojamento escolhido, um hotel da cadeia Eurostar, localizado fora da cidade, mas no cimo duma pequena serra, com uma vista muito aprazível, uns quartos muito simpáticos e uma piscina muito cobiçada, mas não utilizada porque nos tíinhamos esquecido do fato de banho !!!

PALÁCIO DA BREJOEIRA

Com as auto-estradas algumas das casas solarengas do nosso Norte vão ficando menos acessíveis e até menos visíveis: é o caso da Quinta da Brejoeira. E foi preciso um pequeno artigo numa revista para nos recordarmos que há alguns anos a estrada nacional que nos ligava a Espanha pelo norte passava por esse belo e isolado edifício, que nos fazia lembrar os fidalgotes e morgados da província com as suas belas casas, para mostrar ao povo que tinham dinheiro e que eram uns senhores. Embora os fidalgotes já não existam, os solares, pelo menos alguns mais emblemáticos, continuam de pé. Assim num luminoso dia de Verão deixámos a auto-estrada e embrenhamo-nos nas serras direito a Arcos de Valdevez, Ponte da Barca em direcção a Monção, isto é pela velhinha N101. Alguns quilómetros antes de Monção, ali estava no meio da verdura dos vinhedos centenários do famoso alvarinho, a Quinta da Brejoeira, finalmente aberta ao público para visita. A casa é uma casa rural de fidalgo de província a tentar parecer–se com um palacete, com alguns apontamentos de interesse, especialmente na sala de jantar e no teatro, que considerámos espantoso. Infelizmente o tempo e a incúria deixaram algumas marcas, mas estamos certos que a actual dona, ao proceder à criação desta fundação, vai no bom caminho para o sucesso deste espaço. As matas circundantes e os vinhedos são também um aspecto muito aprazível da quinta e a ideia de utilizarem a área da famosa alameda das tílias como futura zona de chá, parece-nos deveras interessante. Esperamos que as boas ideias prevaleçam para tornarem aquele local já de si tão lindo, ainda mais simpático e convidativo !!!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

UM CONCERTO NO PALÁCIO FOZ

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Há dias atrás, mais precisamente no dia 31 de Janeiro, fomos assistir a um concerto na Sala dos Espelhos do Palácio Foz. Fizemo-lo por informação de uma amiga nossa e foi um completa e agradável surpresa. Primeiro porque foi grátis, o que é difícil de acontecer; em segundo lugar porque foi de grande nível.


A primeira parte foi preenchida por peças musicais executadas por dois virtuosos, um do acordeão – Nelson Almeida, o outro do saxofone – Nuno Miguel Silva, e que formam o grupo SAXACORDEON. A maioria das peças foram adaptadas para esses instrumentos mas nada perderam com isso. Valeu a pena e não podemos esquecer estes nomes.



A segunda parte foi um recital de homenagem a Juan Ramón Jimenez e Federico Garcia Lorca pelo TRIO CEANPA – Cecilia Montserrat (declamação), Paz Jaramillo (piano) e Mª Angustias Cartagena (canto). Tiveram uma convidada cujo nome, infelizmente, não retivemos e que foi parte importante no espectáculo que teve como responsável o Instituto Cervantes. Foram declamados poemas e ditos textos daqueles autores e sobre eles. Com a música como pano de fundo e, por vezes, como protagonista, assistimos a momentos artísticos e emocionais verdadeiramente brilhantes. Ficámos com verdadeira admiração pela pianista.



Foi um fim de tarde inesperado mas totalmente satisfatório.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

UMA VISITA AO MOINHO DE PAPEL DE LEIRIA


Quando se aprecia e respeita o nosso património – qualquer que seja o tipo – não nos podemos esquecer do património arquitectónico. Este é muitas vezes esquecido até por quem tem por missão zelar pela sua manutenção ou até pela sua restauração. Não é o caso presente, se bem que levasse o seu tempo até o podermos visitar como fizemos na semana passada.

Estamos a falar do Moinho de Papel de Leiria. Este, que foi o primeiro moinho de papel a existir em Portugal e em grande parte da Europa, deixou-nos maravilhados com aquilo que mostra e com aquilo que nos faz imaginar quanto à vida que ali decorreu durante séculos. É claro que naquelas instalações também existiram engenhos de moagem de cereais e um lagar de azeite de efémera existência. Se o engenho de papel era tocado por uma roda vertical, larga, os engenhos de moagem de cereais eram tocados por rodas horizontais – rodízios, bom como o lagar de azeite que não foi restaurado dada a sua pequena dimensão económica.

A sua restauração foi baseada em estudos, pesquisas arquelógicas e comparando com outros engenhos que também existem. A primeira sala de moagem tinha, diziam, seis ou sete engenhos mas que foram apenas restaurados quatro porque no início eram quatro. Contudo uma questão se nos coloca: então porque existem apenas três caboucos? É claro que isso poderia ter acontecido mas porque o fazer se havia espaço suficiente para tal sem ser necessário recorrer a artimanhas arquitectónicas?
A parte relativa ao moinho de papel é pequena, bem mais pequena que o moinho de papel de Paços de Brandão.

Há ainda outra sala com engenhos de moagem e uma roda de água para produzir energia eléctrica mas que ainda não está em funcionamento.
Em resumo: é um belo edifício com belos engenhos de moagem, um moinho de papel, tudo a funcionar perfeitamente, com competentíssimas(os) assistentes e que, embora muito recente, nos faz querer lá voltar muito em breve. Não esquecer uma completíssima e muito bem apresentada brochura sobre o Moinho.

UMA VISITA À BATALHA


Um destes dias estivemos na Batalha que já não víamos há algum tempo. Não é que houvesse algo de novo mas é sempre impressionante ver aquelas paredes, umas completas, outras incompletas, que representam tanto para o nosso país: uma das principais batalhas pela independência de Portugal. Até parece politicamente incorrecto estar a falar nisto quando o famigerado acordo ortogáfico tanto tem lutado para subalternizar a Língua Portuguesa, vendê-la a interesses estrangeiros que nada honram Camões e outros escritores de Portugal. E depois querem que a juventude Portuguesa saiba Português... É de chorar!!! Nem a Língua Portuguesa escapa à época de saldos em que se encontra Portugal.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AUTOMÓVEIS VENERÁVEIS

Em meados de Janeiro, numa bela manhã em que o Sol aquecia os corpos e as almas e que fazia viver com mais intensidade todas as cores, deparámos com um grupo de antigos, valiosos e respeitáveis automóveis que são parte de uma colecção de uma pessoa natural do Livramento - Mafra.


Com a sua devida autorização fotografei-os porque me fizeram lembrar quando ‘menino e moço’ os via passar na rua. Pelo menos alguns, porque outros são mais novos, mostrando a sua ainda brilhante genica.

E brilhantes também são as suas cores. E brilhantes também as suas curvas. E brilhante também o carinho com que são tratados e cujos dados identificativos estão na ‘ponta da língua’ do seu proprietário com quem tive o prazer de conversar.

Foi um prazer andar à volta deles, fotografá-los e sentir ainda um pouco o ‘cheirinho’ dos tempos em que corriam velozes pelas estradas muitas vezes poeirentas do nosso país.

Aqui ficam as suas identificações:

- Citroen BL11-Traction 1946
- Dodge 1946 FourDoor Lux
- Ford A 1928 FourDoor
- Audi Quattro UR 1981
- DKW A7 1936
- Jaguar XK150 1959
- Jaguar E 4.2 1969


UMA VISITA À QUINTA DA BACALHOA

Já tínhamos diversas vezes ouvido falar da Quinta da Bacalhoa em Azeitão: não só pela qualidade dos seus vinhos como também pelo palacete que deu o nome à empresa que produz e comercializa os ditos vinhos. E que, diziam, valia a pena ser visitado.

Também já nos tinham falado dos objectos de Arte que se encontram tanto no citado palacete como junto e dentro das adegas. É realmente um grupo de objectos que merecem ser vistos. Desde os azulejos mais antigos de estilo árabe até aos azulejos tipicamente portugueses há uma variedade enorme de painéis que satisfará qualquer pessoa, mesmo a mais exigente.


No exterior das adegas estão dispostas obras de arte de artistas japoneses, quase todas em pedra. Estão também expostas réplicas dos cavaleiros e dignitários chineses que faziam parte do exército em terracota que estavam no mausoléu do 1º imperador chinês e que se chamavam Guerreiros de Xian ou Exército do imperador Qin. Mas o mais impressionante são as inúmeras e antiquíssimas oliveiras a ultrapassar os 2300 de vida, tendo algumas já cerca de 300 quando Cristo nasceu.


O palacete encontra-se em bom estado de conservação após obras de restauro que lhe permitem albergar também a citada colecção de azulejos. Os objectos que teria contido para uso dos seus anteriores proprietários desapareceram levados por mãos menos dignas. Portanto, tudo o que lá se encontra hoje foi levado às ordens do Comendador Berardo. Podem-se ver as vinhas do tão afamado ‘Quinta da Bacalhoa’, bem como locais de lazer para uso dos proprietários, pelo menos dos anteriores.

Em resumo: um belíssima tarde dum belíssimo dia de princípio de Fevereiro que terminou com uma prova de vinhos – branco, tinto e moscatel – que estava incluída no preço da entrada.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


OS MOINHOS E O MAR - 1

Uma das formas de passar os nossos tempos livres - e de qualquer pessoa, pensamos - é fazê-lo de uma forma construtiva, produtiva e realizadora. Não basta passear ou viajar ou conversar ou ler ou ouvir música. Isso é, sem dúvida importante. Mas há mais coisas que se podem fazer. Pelo nosso lado fazemos tudo isso; mas fazemos outras coisas também.

A alimentação foi, é e será sempre, e cada vez mais, um dos mais importantes objectivos do ser humano. Durante milénios os cereais foram para muita gente a única forma de alimentação. Para isso a farinação passou por variadíssimos processos, sendo que o mais importante foi o moinho - de vento ou de água. Actualmente há muita gente que se dedica ao tema dos MOINHOS em todas as suas vertentes. Uns mais a fundo, outros nem tanto, mas sempre com a intenção de ajudar outras pessoas a compreender este tema e a dar o justo valor a engenhos e a uma profissão que tanto ajudou a vida humana (e não só). É o nosso caso.

Estes engenhos, com muitíssimas reconstituições actuais feitas por profissionais que ainda trabalham nessa área, que até aos finais do século XIX representavam a única forma de transformar os cereais em farinha, estão ligados a toda uma série de ciências que a maior parte das pessoas não imagina.

Durante algum tempo iremos apresentar neste blogg um grupo de termos que provam a estreita ligação entre a linguagem usada nos moinhos e a usada no mar ou nas suas embarcações. Veremos o que cada um desses termos significa no alto dos montes e nas planuras marítimas, e quais as suas semelhanças e diferenças.

O esquema do trabalho é simples: apresentação dos termos por ordem alfabética, fornecimento dos significados molinológico e marítimo, e uma pequena reflexão sobre eles. Nalguns casos serão apresentadas imagens para melhor esclarecimento.

ADUFA
MOLINOLOGIA - Moinhos de Água: portal ou comporta feita em tábuas pregadas em 2 toros que se situa antes da entrada da água na seteira e que, subindo ou descendo nuns rasgos cortados na pedra, impedem ou permitem a passagem da água.

MAR - pequena porta manobrada mecanicamente cuja finalidade consiste em permitir ou impedir que a água passe por uma abertura existente numa comporta.




As duas definições, no que concerne às suas finalidades, têm o mesmo significado: impedir ou permitir a passagem de água; no caso dos moinhos essa água irá ou não accionar os seus mecanismos motores. Aqui a adufa é usada nas estruturas de condução de água ao moinho; na náutica propriamente dita constata-se que este termo não nomeia directamente qualquer componente de embarcações mas é aplicado nas estruturas de apoio à sua construção ou reparação. E tanto numa como noutra o material usado é o mesmo – a madeira, podendo ser manobradas manualmente ou não, usando para isso mecanismos próprios. Como vemos existe uma total identidade entre estas duas definições.

AFEIÇOAR
MOLINOLOGIA - adaptar algo a outra coisa; dar a feição de algo a outra coisa.
MAR - ajeitar o pano à verga e dispô-lo de modo a dar o melhor rendimento e a apresentar um bom aspecto.

É um termo de uso generalizado podendo-se encontrar em qualquer ramo da vida ou do conhecimento. Para que tal seja possível é apenas necessário que existam duas ou mais coisas a ser comparadas ou adaptadas. Nos moinhos esta adaptação é muito necessária, por exemplo, no sistema de Moagem em que as duas pedras – a mó e o poiso – são tratadas com areia – arear - girando uma sobre a outra tendo areia pelo meio, de modo que, pelo seu desgaste, se afeiçoem uma à outra a ponto de formarem um casal de mós.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESCHER e GIACOMETTI

27/01/2011
É sempre bom voltar a Évora! Revisitar a cidade muralhada e branca e sentir o Alentejo nas suas ruas é sempre muito agradável! Também é muito atractiva a perspectiva dum almocinho tipicamente alentejano regado com um bom tinto bem maduro. Só isto já justificava uma tal visita mas desta vez também temos outro fito: visitar as exposições de M.Escher (1898-1972) e de M.Giacometti (1929-1990).
Bem perto do ex-libris de Évora – o Templo de Diana – fica o Forum Eugénio de Andrade que desde Dezembro alberga a exposição ‘A Magia de Escher’, com litografias, desenhos e xilogravuras deste holandês que nos maravilha com a sua imaginação transcendente, algumas vezes surrealista mas inevitavelmente espectacular. A transformação de simples traços em figuras complexas e encaixadas umas nas outras é uma maravilha. Da catedral submersa às escadas que sobem e simultaneamente descem, ao emaranhado de formas animais que se esfumam no ar, tudo, enfim, nos fascina.

Depois do almoço no restaurante ‘O Moinho’ em que nos deliciámos com uns pézinhos de coentrada e outros petiscos e de uma pequena visita ao moinho que lhe dá o nome, seguimos para o Convento dos Remédios, edifício recentemente restaurado pela C.M.Évora e que alberga, ainda, o Conservatório da cidade. Numa das áreas do edifício encontra-se uma interessante recriação do neolítico e do paleolítico bem como a representação de uma anta – do Zambujeiro – e uma maqueta do Templo de Diana tal como seria nos seus tempos áureos. Nas o que nos trouxe aqui foi a exposição fotográfica ‘Giacometti, 80 anos, 80 imagens’. Este corso que viveu e morreu em Portugal (1959/1990) realizou um trabalho notável de recolha musical do nosso património; a par disto soube também captar fielmente, sob forma fotográfica, os ambientes, as gentes e os costumes do povo português na segunda metade do século XX. Foi como se voltássemos às aldeias da nossa infância, com tudo o que isso nos traz de saudade, alegrias e tristezas: porque muitos dos motivos destas fotos ou desapareceram ou foram tragados pela floresta de cimento que a pouco e pouco tem invadido os nossos campos mas ao mesmo tempo conhecemos pessoas que ainda se preocupam em preservar o há.
Bem hajam as gentes de Évora por estas duas exposições.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

PORTUGAL AIR SHOW 2009 (18-20/09/09)

Embora o dia estivesse quente o céu pressagiava mau tempo: por vezes ficava escuro, as nuvens eram pesadas e o vento trazia recordações de tempestade. Contudo aguentou-se obrigando apenas a ligeiros atrasos no horário previsto.

Foi no Aeródromo de Évora que assistimos pela primeira vez a um Festival Aéreo. Em terra convivemos com pequenas aeronaves, umas mais sofisticadas, outras menos (como os ultra-leves).
Vimos também helicópteros de pequeníssimas dimensões se comparados com o da Força Aérea que nos fez uma apresentação de salvamento verdadeiramente impressionante.

Além deste vimos ao longe os Alouette III dos Rotores de Portugal que, mais tarde, nos céus nos apresentaram um 'bailado' verdadeiramente espectacular.

Mais tarde, tendo-os já visto em terra, foi a vez de ver voar algumas das velhas glórias da aviação. Outros, como o F-16 não sairam do seu lugar.
A maior parte dos aviões que vimos em terra vimo-los também no ar. Alguns, meramente comerciais, voavam com ligeireza e elegância. Outros, preparados para a competição, fizeram com que os nossos estõmagos, apesar de apenas por sugestão, se não sentissem nada bem, perante as acelerações para cima e para baixo, perante os 'tonneaux' e curvas totalmente 'impossíveis'.
Mais tarde vieram os aviões clássicos com o seu ruído característico e o seu voo aparentemente lento.

Depois foi a vez de a Patrulha Águila de Espanha nos presentear com uma exibição brilhante em que o seus pilotos nos apresentaram figuras e acrobacias de nos fazer 'arrepiar', mas ao mesmo tempo, nos maravilharmos com a beleza da sincronização de movimentos fruto da sua elevada técnica.
Algumas das designações técnicas das aeronaves que vimos evoluir nesse sábado são:
Casa C-101 Mirlo (Patrulha Águila - Força Aérea Espanhola)
Alouette III (Rotores de Portugal-Força Aérea Portuguesa)
Boeing PTxx-Stearman (com as cores da US Navy)
F16 C Fighting Falcon (Força Aérea Portuguesa)
Hawker Sea Fury (Cores Australianas)
Linx MK95 (Helicóptero da FAP)
Quicksiler MXL (Ultraleve)
Foi um dia verdadeiramente ímpar na nossa vida.

TRÊS CANTOS - 23/10/2009

O encontro foi no Campo Pequeno no dia 23 de Outubro de 2009. A razão foi o Concerto TRÊS CANTOS onde se iria ver e ouvir três dos maiores vultos da música ligeira portuguesa que nos fariam reviver anos da nossa juventude através de algumas das suas cerca de 30 criações:

Fausto
José Mário Branco
Sérgio Godinho

Foi algo de 'mágico', como se costuma dizer hoje. O cenário era despretensioso embora muito agradável. Os músicos e cantores acompanhantes fizeram o seu papel com toda a mestria e competência, dando maior força e alegria ao concerto. As luzes coloridas também contribuiram para um ambiente de festa e alegria.
Como resultado final tivemos um espectáculo de casa cheia, onde até encontrámos bons amigos à procura do mesmo: boa música, bons peomas e velhas recordações. Recordar é viver. Os poemas, alguns já bem velhinhos, revelaram-se, contudo, bem actuais.




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Viagem ao sul de Espanha

VIAGEM AO SUL DE ESPANHA




Às 07h00 da 'madrugada' de uma fresca 2ªfeira de Novembro deste ano lá nos levantámos e preparámos para uma viagem de cerca de 600 km até Córdoba, passando por Sevilha. Parámos no Parque das Nações às 08h00 para nos juntarmos a um casal amigo, nosso companheiro de mais uma viagem.

SEVILHA - Após o pequeno almoço lançámo-nos à estrada e quando chegámos a Sevilha fomos direitos à Praça de Espanha que já não víamos há uns anos: 'guapa' como sempre, com os seus belos azulejos, lagos e linhas arquitectónicas. O contraste entre esses azulejos e a tijoleira da construção é fabuloso.



CÓRDOBA - Partimos, depois, em direcção a Córdoba que nos acolheu muito mal, não os seus simpáticos habitantes, mas as suas obras muito mal sinalizadas e sem alternativas visíveis. Nem a polícia nos foi capaz de ajudar. Após 3 horas de tentativas resolvemos ir para outro hotel mais fácil de encontrar. Com isto perdemos 3 horas importantes para visitar esta cidade pois, como era já noite e chovia e pouco poderíamos ver, resolvemos jantar e descansar. No dia seguinte, 'martes', debaixo de uma chuva que por vezes era intensa, lá fomos à redescoberta de 'La Catedral de Córdoba', inicialmente uma mesquita, que congrega dois estilos arquitectónicos tão diferentes: o Árabe e o Gótico. Felizmente que após a reconquista alguém tomou a decisão de, tanto aqui como em Granada e Sevilha, não se destruirem monumentos tão belos só porque tinham sido construídos por adversários religiosos.



GRANADA - Nesse mesmo dia partimos para Granada onde chegámos a meio da tarde mas com melhor tempo e melhor acolhimento. A neve na Sierra Nevada era já visível. Ainda que por vezes chovesse, ainda conseguimos visitar a 'Real Capilla de Granada' onde estão sepultados numa cripta, sob os seus mausoléus, os reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, a rainha Joana a louca e o marido, o rei Felipe I, e o príncipe D.Miguel de Portugal que aqui faleceu aquando de uma visita. Passeámos um pouco pela cidade e, no dia seguinte, 'miércoles', cerca das 09h00 lá entrámos para visitar 'La Alhambra' (ou 'A Vermelha') e o Generalife (onde o rei e a corte podiam descansar durante o verão em clima mais ameno). Em 'La Alhambra' há quatro polos do maior interesse: o palácio de Carlos V (cujo único ponto de interesse é o seu pátio redondo interior), el-Alcazar (local da guarnição militar), os palácios de 'La Alhambra' propriamente dita (com pátios belíssimos como o Pátio dos Leões que estavam em recuperação) e os seus lindíssimos jardins. No Generalife, como não podia deixar de ser, a construção é muito mais leve e os seus pátios com os jardins e fontes são belíssimos. Em todos estes complexos é notório o amor à beleza, à cor, ao gosto pelo convívio e ao apreço à natureza. Daqui do alto pode-se ainda apreciar uma vista fabulosa do bairro árabe com as suas tão características casas, branquinhas e viradas para o palácio.



SEVILHA - Outra vez. Na 5ªfeira, 'jueves', uma vez que o percurso da viagem se alterou um pouco, em vez de irmos a Toledo e Aranjuez, regressámos a Sevilha e visitámos o que nos mais faltava: a Catedral (o seu tesouro é sumptuoso ...), com o Pátio das Laranjeiras e a Giralda (a sua torre) a que se pode subir facilmente uma vez que em lugar de degraus possui uma rampa e do seu topo pode-se desfrutar uma vista espectacular de Sevilha, e 'El Alcázar Real de Sevilha'.
É verdade que se pagam entradas em tudo o que é visitável, e às vezes não são tão baratas como gostaríamos, mas tudo está muito cuidado e limpo e tratado como deve ser.



A meio da tarde regressámos a Lisboa ainda a tempo de jantar.


terça-feira, 15 de julho de 2008

CELTIC LEGENDS - Lisboa - 11/07/2008

Não sabemos há quanto tempo começámos a gostar da música, cantares e danças da Irlanda. Mas o certo é que o som do violino, do banjo e das violas harmoniosa e alegremente misturados com a concertina nos encanta já há muitos anos. Também os cantares que nos falam da cerveja, do tabaco e do mar nos fazem sonhar com grandes veleiros, ondas alterosas e, finalmente, o aconchego do porto e dos amigos. Mais recentemente descobrimos as danças, o vigor e a mestria do sapateado, nos DVDs do fabuloso Michael Flatley. Por isso, quando há cerca de um mês vimos anunciado o espectáculo “Celtic Legends”, decidimos de imediato assistir... e foi um espectáculo ...
Apesar de saber a pouco. No entanto, foram duas horas seguidas em que, como dizia o nosso vizinho de plateia, só faltou a caneca de “beer”. A música irlandesa deixa-nos sempre com vontade de bater o pézinho e, ao ver os dançarinos a executar o seu sapateado, sentimo-nos transportados para um alegre e fumarento bar ali para as costas da Irlanda Ocidental, ferozmente batidas pelo Atlântico Norte. Também a voz do solista e as suas baladas nos transportaram para um país de lendas e neblinas, de fadas e duendes, um país do nosso imaginário infantil. Enfim, gostámos muito ... e não fomos os únicos ... por favor, voltem e tragam mais ....

terça-feira, 27 de maio de 2008

Lisboa - Maio/08

Na passada semana resolvemos fazer um pequeno passeio matinal por Lisboa que nos levou desde o alto do Parque Eduardo VII, passando pelo Chiado, indo até ao Cais do Sodré, chegando mesmo a Santos, voltando pelo Terreiro do Paço para o Rossio. Nesta volta tivemos muitas oportunidades de ver coisas: umas mais bonitas do que outras, mas em geral interessantes. Três delas nos chamaram a atenção: uma exposição de esculturas de Baltazar Lobo, o jardim de S.Pedro de Alcântara e um trabalho colectivo de escolas de todo o país chamando a atenção das pessoas para o problema dos fogos florestais.
A exposição de Baltazar Lobo é interessante, tem bons trabalhos, mas perde um pouco por estar junto de trabalhos do Botero que, embora também sejam belas esculturas de senhoras bastante avantajadas, são de estilo diferente.
Os trabalhos de reparação do jardim de S.Pedro de Alcântara já estão acabados e permitem que um belo recanto de Lisboa esteja disponível para ser desfrutado: não apenas a sua vista – o que já é muito – mas também o próprio jardim em si mesmo: as flores, a sombra, o repouso.
No Terreiro do Paço havia uma mancha de cor alertando para a mancha de morte que tantas vezes se podem ver pelo nosso país como consequência dos fogos florestais. Foi uma belíssima ideia a destas escolas. E foi um belo passeio.

Alcabideche - Moinho Americano

Alcabideche. Há dias atrás tivemos conhecimento da existência de um moinho de vento americano em Alcabideche que fora recentemente recuperado. ‘Moinho americano’ significa que é um ‘moinho de vento de armação metálica’, isto é, o seu engenho motor, em vez de ser o tradicional em madeira, é todo em metal. Ao contrário dos moinhos do mesmo tipo existentes na região do Bombarral e do Cadaval , que são muito grandes, este é pequeno, não deixando, contudo de ter exactamente as mesmas características. Encontra-se na Praceta do Moinho, junto às instalações da Junta de Freguesia e possui, como complemento da sua missão, um Centro de Interpretação onde se encontram alguns apetrechos usados na picagem e, sobretudo, onde se prepara e faz o pão que os miúdos das escolas tanto apreciam aquando das suas inúmeras visitas de estudo que começam com uma volta pelo moinho onde se pode assistir à moagem que foi previamente explicada; depois, a farinha obtida é levada para o C.I. onde é peneirada e preparada para ser amassada. Aguarda-se que fermente, tempo que é usado para outras actividades relacionadas com o moinho e com o pão, e fazem-se os pãezinhos que são colocados num forno existente no edifício do moinho. Após a sua cozedura são comidos no meio de um ambiente de festim que só a genuinidade – das crianças e do pão natural – pode originar. Este moinho pertence à Câmara de Cascais e o Dr. António Paraíso é a sua alma. É pena que com a documentação existente em sua posse ele ainda não tenha tido oportunidade de editar um livro preservando toda a história da sua recuperação, todos os conhecimentos tanto dele como do último moleiro que neste moinho trabalhou e que o vendeu à autarquia.
As imagens anexas mostram:
1 - uma vista geral exterior do moinho
2 - algumas das rodas metálicas das transmissões existentes no 'inferno', isto é, por baixo do piso onde se encontram as mós
3 - uma vista geral interior
4 - o sistema de maogem em funcionamento
5 - a máquina para limpeza de cereal que aqui chamam de senselardor, noutros lugares chamam aviadouro
6 - os três tipos de cereal aqui moídos, embora neste momento as mós, que são duas como se pode ver em 3, estejam ocupadas pelo trigo - a da esquerda - e pelo milho - a da direita.