segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

ATAFONA

Na Antiga Roma era chamada 'mola manuaria' ou, mais tarde, 'mola asinaria' ou 'mola jumentaria'; contudo a palavra portuguesa deriva do árabe 'at-tahuna' que significa moinho. É um moinho movido à mão ou pela força de um animal (mula, burro, boi etc) e cuja roda motora se encontra num plano horizontal junto ao chão ou a uma altura de cerca de 2m. Situa-se dentro duma casa, muitas vezes a habitação do atafoneiro. Eram muito usadas onde não havia água (ou esta era escassa) ou vento ou nas cidades, uma vez que podiam ser instaladas no meio do casario não dependendo, portanto, da existência inconstante da água ou do vento. Contudo outros problemas se colocavam como, por exemplo, questões higiénicas e questões relacionadas com a alimentação dos animais em épocas de carestia.

Os principais tipos são de:
- transmissão directa
- transmissão indirecta ou por carreto
- tipo pompeiano

Este tipo de moinho era muito usado também nos lagares de azeite.

domingo, 9 de dezembro de 2007

INVERNO ?


E quanto a inverno molhado nada! Cá vamos tendo um pouco de frio, algumas constipações que nos fazem lembrar esta época de calendário, mas quanto a água... nada! Só receamos que mais tarde tenhamos que pagar uma factura muito cara pelo 'bom' tempo que alguns, muitos, tanto apreciam agora. Contudo, e como nada podemos fazer para corrigir este desarranjo meteorológico, podemos apreciar as cores da natureza que a limpidez da atmosfera por vezes nos permite.

NATAL 2007 - I


Ontem, dia 8 de Dezembro, tivemos a dita de poder assistir a um concerto de Natal na Igreja do Livramento, Azueira, Mafra. A iniciativa partiu da Câmara Municipal de Mafra, com a participação do Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfónica Juvenil e do Coral de Linda-a-Velha. Foi um momento alto desta época Natalícia, não só porque é raro acontecer semelhantes eventos nesta localidade, como também pelo bom nível dos participantes. Só foi pena o órgão setecentista recentemente restaurado não ter participado com a sua 'voz' neste concerto. Os frescos da capela-mor desta igreja que se encontravam por detrás e por cima dos executantes foram recentemente objecto de cuidado restauro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

LISBOA - Parque das Nações

Numa destas tardes tão enganadoramente idílicas que nos têm acompanhado já há algum tempo dedicámos algumas horas ao Parque das Nações, aproveitando para passear, para exercitar a vista olhando para além das distâncias que separam os prédios das nossas ruas, para ver algum ‘verde’ tão refrescante e tão vivo, para ouvir os ‘nossos’ pequeninos a brincar com os pais gritando a vida que tão inocentemente gozam.
Vimos, conforme as imagens documentam, alguém dentro da lama apanhando algo que presumimos serem minhocas para a pesca. Seriam? Não conseguimos distinguir porque estávamos relativamente afastados e porque a lama era tão negra como carvão.
Esta cena era frequentemente vista entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré antes das malfadadas obras do metro terem começado. A propósito:
- quando terminarão? e
- quanto tempo o Cais das Colunas necessitará para ser reconstruído após o terminus das obras do metro?

ESPANHA - Salamanca

Salamanca foi, da nossa última viagem, a cidade em que nos demorámos menos. Porque a viagem de regresso era muito longa e porque já a conhecíamos relativamente bem. Contudo, como não pudemos deixar de o fazer, ao passar por lá tínhamos de revisitar a Casa Lis, um museu de Art Déco e Art Nouveau, cujo recheio nos deixa continuamente de ‘água na boca’. É um facto que no ‘nosso’ Museu Gulbenkian também encontramos muitas peças de autores lá representados, como por exemplo Lalique. Mas todo o ambiente é extremamente sugestivo, uma vez que o Museu está instalado numa casa que foi construída ao estilo das peças que hoje mostra.
As imagens aqui vistas mostram uma igreja românica, junto ao rio, uma torre duma das catedrais, a ponte romana, as varandas traseiras em vitral Arte Nova da Casa Lis e o moinho de água junto ao Casino.
Na outra imagem podem ver-se exemplos do que se encontra dentro da Casa Lis e que são algumas das reproduções do seu folheto de entrada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ERICEIRA - IV

No mesmo dia – no passado domingo – se puderam ver na Ericeira imagens tão díspares mas ao mesmo tempo tão belas. O sol estava brilhante, incidindo toda a sua luz sobre as cores dos barcos e das paredes. Era uma beleza. O mar, não pela sua luz mas pela sua força e ritmo das suas ondas, fazia-nos sentir pequeninos. Quem o visse de longe parecer-lhes-ia calmo mas, perto dele, quase que se poderia sentir a sua vontade que se iria ou poderia sobrepor à vontade dos homens e ao que eles construiram. Como nos dizia a mulher dum pescador:’Desta vez é que o molhe vai...’, talvez não com o sentido literal das palavras usadas mas querendo significar que ele, o molhe, existirá enquanto o mar o permitir.




LAGAR DE AZEITE

Fomos no passado sábado visitar um LAGAR DE AZEITE situado em Lamarosa, perto de Torres Novas. Já tínhamos entrado em alguns lagares de azeite mas foi a primeira vez que vimos um lagar em plena laboração. Embora não totalmente tradicional – é quase todo movido a electricidade – possui, contudo, o lagar tradicional, isto é, formado por, neste caso, duas mós ou galgas, que esmagam as azeitonas como ‘antigamente’. O seu encarregado é, desde há 30 anos, o sr.Armindo que vem de Cantanhede todos os anos para este trabalho que se inicia pelos Santos – 1 de Novembro – e se estende até meados de Dezembro, por vezes até vésperas do Natal.
Eis o processo de fabrico do azeite tal como o vimos.

As azeitonas, recebidas normalmente em sacas, trazem muitas impurezas, quase sempre folhas de oliveira. São, pois, por vezes despejadas em tabuleiros para retirar algo mais volumoso e, depois, introduzidas numa tarara para uma limpeza mais efectiva. Daqui são despejadas dentro dum tegão e levadas ao lagar por um parafuso sem-fim.

Após o esmagamento por mós ou galgas, girando verticalmente dentro dum lagar cónico, a pasta resultante sai para um pequeno tegão donde é conduzida ao depósito que contém água quente a cerca de 70 º onde são misturadas. Isto destina-se a facilitar todo o processo de tratamento da pasta de azeitona já que esta, sendo espessa, é muito difícil de trabalhar: a água quente fluidifica a pasta, facilitando a obtenção do azeite.

Esta pasta, azeitonas esmagadas e água quente, é depois depositada pouco a pouco sobre as seiras que se vão colocando umas sobre as outras num dispositivo que será posto na prensa para se obter o máximo de aproveitamento de azeite.

O líquido negro obtido, que entretanto já tinha começado a escorrer sob o próprio peso da pilha de seiras completas, é armazenado em pequenos tanques ou depósitos, ficando em repouso durante 12 horas, tempo calculado como suficiente para o processo de decantação se completar, separando a água do azeite.

A separação é verificada, isto nos processos tradicionais, com o uso de uma varinha (a ‘varinha de condão’), nalguns casos uma pequena e fina varinha de marmeleiro, possibilitando-se, assim, saber onde acaba o azeite e começa a água. Como: introduz-se a varinha no azeite com movimentos de um lado para o outro, afundando-a cada vez mais. Enquanto é azeite, não há trepidação na varinha, o seu movimento é suave e uniforme; logo que toca na água sente-se uma trepidação provocada pela diferente densidade encontrada.

A água russa é retirada pelo fundo do tanque, após o azeite ter sido bombeado a partir de cima com a ajuda de uma pequena bomba eléctrica. Tradicionalmente, ou melhor, o processo mais antigo consistia em deixar sair o azeite para dentro de um outro tanque.

No lagar que visitámos tudo está mecanizado, à excepção da movimentação das seiras.
Números obtidos:
- proporção azeitona vs azeite: 36 sacos de azeitona = 100 litros de azeite (+/-)
- azeitona madura dá mais azeite (+/- 18 %) enquanto que a azeitona a passar de verde para
negro dá apenas 10 % embora seja melhor.
- maquia (paga do trabalho de moagem da azeitona): 1 € por litro de azeite