segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESCHER e GIACOMETTI

27/01/2011
É sempre bom voltar a Évora! Revisitar a cidade muralhada e branca e sentir o Alentejo nas suas ruas é sempre muito agradável! Também é muito atractiva a perspectiva dum almocinho tipicamente alentejano regado com um bom tinto bem maduro. Só isto já justificava uma tal visita mas desta vez também temos outro fito: visitar as exposições de M.Escher (1898-1972) e de M.Giacometti (1929-1990).
Bem perto do ex-libris de Évora – o Templo de Diana – fica o Forum Eugénio de Andrade que desde Dezembro alberga a exposição A Magia de Escher’, com litografias, desenhos e xilogravuras deste holandês que nos maravilha com a sua imaginação transcendente, algumas vezes surrealista mas inevitavelmente espectacular. A transformação de simples traços em figuras complexas e encaixadas umas nas outras é uma maravilha. Da catedral submersa às escadas que sobem e simultaneamente descem, ao emaranhado de formas animais que se esfumam no ar, tudo, enfim, nos fascina.

Depois do almoço no restaurante ‘O Moinho’ em que nos deliciámos com uns pézinhos de coentrada e outros petiscos e de uma pequena visita ao moinho que lhe dá o nome, seguimos para o Convento dos Remédios, edifício recentemente restaurado pela C.M.Évora e que alberga, ainda, o Conservatório da cidade. Numa das áreas do edifício encontra-se uma interessante recriação do neolítico e do paleolítico bem como a representação de uma anta – do Zambujeiro – e uma maqueta do Templo de Diana tal como seria nos seus tempos áureos. Nas o que nos trouxe aqui foi a exposição fotográfica ‘Giacometti, 80 anos, 80 imagens’. Este corso que viveu e morreu em Portugal (1959/1990) realizou um trabalho notável de recolha musical do nosso património; a par disto soube também captar fielmente, sob forma fotográfica, os ambientes, as gentes e os costumes do povo português na segunda metade do século XX. Foi como se voltássemos às aldeias da nossa infância, com tudo o que isso nos traz de saudade, alegrias e tristezas: porque muitos dos motivos destas fotos ou desapareceram ou foram tragados pela floresta de cimento que a pouco e pouco tem invadido os nossos campos mas ao mesmo tempo conhecemos pessoas que ainda se preocupam em preservar o há.
Bem hajam as gentes de Évora por estas duas exposições.

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